O CNIS é o extrato de vínculos e contribuições que o INSS usa para conceder a aposentadoria. Como consultar pelo Meu INSS, o que cada indicador significa, os erros mais comuns e como corrigi-los com documentos antes de pedir o benefício.
O CNIS — Cadastro Nacional de Informações Sociais — é o banco de dados em que o INSS guarda a vida contributiva de cada pessoa: todos os empregos, os salários mês a mês, as contribuições por carnê, os benefícios recebidos. Quando alguém pede aposentadoria, é o CNIS que o INSS lê. O que estiver certo ali é concedido sem discussão; o que estiver errado ou faltando precisa ser provado com documento — e é melhor fazer isso antes do pedido, com calma, do que durante a análise, sob prazo.
Como consultar
Pelo aplicativo ou site Meu INSS, com a conta gov.br, em “Extrato de contribuição (CNIS)”. O extrato pode ser baixado em PDF e tem duas partes: a lista de vínculos — cada emprego, com data de entrada e saída — e a de remunerações e contribuições, mês a mês, com o valor sobre o qual se contribuiu. Vale fazer isso uma vez por ano, e não só perto de aposentar: um erro de dez anos atrás é mais fácil de corrigir enquanto a empresa ainda existe.
O que conferir
- Todos os empregos estão lá? Vínculos anteriores a 1976 (trabalho urbano) costumam faltar, e empregos curtos ou de empresas que fecharam também.
- As datas de saída estão preenchidas? Vínculo sem data fim é o erro mais comum. O INSS pode contar o tempo só até a última remuneração registrada, ou pedir prova.
- Os salários batem com os holerites? Remuneração errada muda a média que define o valor do benefício. Meses sem remuneração num vínculo ativo aparecem como lacuna.
- Há meses abaixo do mínimo? Desde a reforma de 2019, contribuição sobre valor menor que o salário mínimo não conta como mês — a pessoa precisa complementar a diferença ou agrupar meses. O CNIS marca essas competências.
- As contribuições por carnê foram reconhecidas? Guias pagas com código errado ou fora do prazo podem constar como pendentes.
Os indicadores do extrato
Ao lado de vínculos e competências o CNIS traz siglas que apontam pendências. As mais frequentes:
| Indicador | O que significa |
|---|---|
| PREM-EXT | remuneração informada fora do prazo pelo empregador; pode exigir comprovação |
| PEXT | vínculo informado fora do prazo; o INSS pode pedir prova do emprego |
| AEXT-VI | vínculo incluído por acerto posterior; precisa de documento que o sustente |
| PREC-MENOR-MIN | contribuição abaixo do salário mínimo naquele mês; não conta até ser complementada |
| IREC-INDPEND | contribuição de contribuinte individual com pendência de validação |
| PADM-EMPR | data de admissão informada pelo empregador sem confirmação; conferir com a carteira |
Um indicador não anula o período; ele avisa que aquele dado vai ser questionado na análise. Resolver antes é o que evita uma exigência de 30 dias no meio do pedido.
Como corrigir
No Meu INSS, o serviço é “Atualização de vínculos e remunerações” (ou “Solicitar atualização do CNIS”). Anexa-se o documento que prova o dado correto e o INSS analisa. Os documentos que valem:
- Carteira de trabalho, física ou digital, com o registro do contrato — é a prova mais forte de vínculo e de datas.
- Holerites e contracheques para remunerações erradas ou faltantes.
- Termo de rescisão ou extrato do FGTS para data de saída em aberto.
- Carnês e guias pagas (GPS) para contribuições por conta própria.
- Contrato de trabalho, ficha de registro de empregado, declaração do empregador quando a carteira não está disponível.
Para meses abaixo do mínimo, o próprio Meu INSS emite a guia de complementação, ou permite agrupar duas competências baixas numa só. Para períodos antigos sem documento, a alternativa é a Justificação Administrativa: testemunhas e indícios de prova, avaliados pelo INSS. Empresa que fechou não impede a correção — a prova vem dos documentos do trabalhador.
Quando o erro é do empregador
Contribuição descontada do salário e não recolhida continua valendo para o trabalhador: a dívida é do empregador com a Receita, e o INSS deve reconhecer o período com a carteira e os holerites como prova. O que o trabalhador não pode fazer é ficar com o CNIS em branco esperando a empresa regularizar. O caminho é o mesmo: pedir a atualização com os documentos.
O que o CNIS permite planejar
Com o extrato conferido, o simulador do Meu INSS calcula a data provável de aposentadoria por cada regra de transição e o valor estimado do benefício. Esse valor é a peça que faltava para a pergunta seguinte — quanto a reserva própria precisa cobrir além do INSS. O guia das regras de aposentadoria explica cada transição, e a calculadora de aposentadoria recebe o valor estimado do INSS e diz quanto guardar por mês.